Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas


Para uma civilização consumista, hedonista, narcisista repleta de pessoas descartáveis, a breve passagem do novo Papa pelo Brasil, pareceu trazer um ar de esperança e renovação ao abalado dogma religioso católico, que um dia já foi hegemônico em terras tupiniquins.

Diante do senso comum, vivemos uma era em que o registro fotográfico, em qualquer qualidade, se tornou muito mais importante do que vivenciar a própria experiência. Enquanto o carismático Papa Francisco surpreendeu a todos com uma mudança de rota, atravessando a massa ansiosa de fieis (que o aguardavam chegar de helicóptero) em um carro comum, os próprios voluntários da Jornada Mundial da Juventude – responsáveis pela “segurança” do Papa – que formavam um corredor humano para a facilitação do acesso de vossa santidade ao seu destino, burlavam suas tarefas e muitos se transformaram em verdadeiros “tietes-paparazzos”, abandonando assim os seus postos para tocarem, nem que seja o carro do Papa, em um registro sem foco no celular. Acabaram dando mais trabalho que os próprios devotos para o verdadeiro grupo de segurança papal.



Muito se falou sobre a visita do Papa e da nossa querida presidente que continua em queda livre nas pesquisas de popularidade. Dilma hoje respira o seu próprio longa “A espera de um milagre”. Em todo lugar leu-se sobre como a senhorita Rousseff se aproveitou do momento para mais um discurso pro-petista de seu governo. Outro assunto exaltado foi a “egípcia” que o Presidente do Supremo - para os íntimos o super Joca - deu em vossa presidente. Golpe de marketing, ou simplesmente desafeto? No blog de Fernando Henrique Amorim, o jornalista afirma que em quanto esperavam o Papa Francisco, em uma sala VIP, havia confraternização de todos os poderes, inclusive vários sorrisos e palavras trocados entre Joaquim e Dilma. O que teria acontecido é que o presidente do supremo, não haveria sentido necessidade de mais cumprimentações no momento de conhecer vossa santidade, mas a PiG (Partido da Imprensa Golpista) fez questão de retratar como falta de educação e sensacionalizar o caso. 


Mergulhando no meio da pororoca sozinho [cuidado contém spoilers sobre a vida]. 

"Todas as religiões, com seus deuses, semideuses, profetas, messias e santos, são resultado da fantasia e credulidade de homens que ainda não atingiram o total desenvolvimento e personalidade das suas capacidades intelectuais."
Mikhail Bakunin
O ser humano possui uma incrível facilidade de adoração, uma necessidade verdadeira que atravessa os milênios. Somos incapazes de aprender, escutar, refletir ou mesmo nos divertir sem reverencias e enaltecimentos. A fragilidade humana chega ao ápice de um verdadeiro vazio interior, com uma carência que apenas se mostra saciada com a nossa própria subjugação.

Refletir sobre isso, é no mínimo intrigante, mesmo que seja em uma tese argumentativa da profundidade de um pires.

 No começo da década de 60, no auge da Beatlemania, muitos acreditavam que os Beatles eram anjos, há registros de mães pedindo aos integrantes da banda que tocassem em seus rebentos como forma de bênção. 
Beatlemania: Manson é um dos que acreditavam em todo o misticismo em volta dos Fab Four
Manson ja foi considerado pelos Estados Unidos o homem mais perigoso da terra
No final da década de 60, a mente diabólica de Charles Manson com então 33 anos, comandou uma comunidade, onde com o seu incrível dom de persuadir, fez um pequeno grupo acreditar que uma guerra entre negros e brancos iria começar em breve e que era o seu papel salvar os poucos escolhidos que sobreviveriam ao caos que estava por vir. Foi o mandante do horrendo assassinato da atriz Sharon Tate, mulher do diretor do filme “O bebe de Rosemary”. Manson aos 78 anos hoje, cumpri prisão perpetua, e seus cúmplices pegaram pena de morte na época.

Jim Jones e sua Jonestown.
 O líder religioso do Templo dos Povos, Jim Jones em 1977 levou os primeiros 50 seguidores da sua seita para o que seria o paraíso na terra, a Jonestown. Um ano depois Jones já teria conduzido para sua utópica comunidade 900 novos fieis, todos saindo de San Francisco, Califórnia em voos direto para Port Kaiutuma na Guiana Francesa. Quando Jones viu seu sonho ir por agua abaixo, por causa de denuncias de irregularidades, coordenou o maior suicídio em massa já visto ate hoje, em menos de cinco minutos mais de 900 pessoas tiraram suas vidas com uma mistura de cloreto de cianeto e sedativos.

Jonestown: O maior suicídio da historia. Dos 918 corpos, 270 eram crianças
Lá atrás no antigo Testamento, conta a historia que na ausência de Moisés, o povo hebreu desorientado sem um guia espiritual, derreteu todo o ouro que tinham e construíram um bezerro de ouro, para em seguida começarem a adora-lo e a oferece-lo sacrifícios.




Qual será o sentido para tudo isso? Talvez se o homem perdesse um pouco do seu sempre escasso tempo buscando um santuário interior, em uma forma de auto sustentação, estaríamos mais cientes de certas armadilhas espirituais. Entendo que assim como a mente não pode transmitir com clareza o que não entende, também não se possa exprimir e manifestar o desapego de velhas necessidades. Mas ao invés de evoluirmos dia após dia, conseguimos ser mais enganados, afundar mais em velhos dogmas. Alguns reinventados e modernizados conforme o gosto excêntrico do cliente. Cientologia? Religião alienígena? Em um mundo globalizado é difícil de acreditar que ainda possamos aceitar certas coisas. Um equilíbrio é o que precisamos encontrar em raros momentos de meditação, uma concepção bem maior de que realmente nos cerca. Contudo, fazendo uma rápida varredura de tudo que o ser humano passou em todos esses milênios de evolução, descobrimos que nunca fomos seres pensantes livres de verdade, sempre fomos e seremos presos a amarras impostas por nos mesmos, ou não. Parece  essa ser a verdadeira natureza humana, toda sua forma de expressão é uma grande mentira. Nos dias de hoje sinônimo de liberdade e autoafirmação é o degenerado postar uma foto no Instagram esfregando o pênis nos sanduíches da Subway.
 

Histeria Coletiva Oportunista Astuciosa



Em 2006 na Cidade do México, um grupo de garotas de um internato católico passou a ter, ao mesmo tempo, fraqueza, dificuldade de locomoção, febre, náuseas e desmaios. Ao retornar das férias, o mal se espalhou ainda mais. No total, 600 das 3.600 internas demonstraram os mesmos sintomas. Segundo as autoridades, sem nenhuma causa orgânica. Outro caso “contagiante” ocorreu na cidade de Tanganica, no país africano da Tanzânia. A criançada começou a rir sem motivo algum na escola e acabou “contaminando” os pais em suas casas. A risadaria nonsense atingiu vizinhos e centenas de outras pessoas, que riram durante seis meses. A epidemia, analisada em um artigo do Jornal Internacional de Pesquisa, relatava dores, dificuldades respiratórias e ataques de choro.  Apesar dos dois casos terem sido em lugares e situações distintas, o diagnostico é coalescente: Histeria Coletiva.

É o que parece que vem acontecendo hoje no Brasil, uma Histeria Coletiva Oportunista Astuciosa. Grupos de todos os gêneros, dogmas, segmentos e tamanhos reivindicando melhorias de vida em geral. O problema é que muitas vezes a doença faz a massa ficar mais ansiosa e perder o controle sobre atos e emoções, além de turbinar os sentidos, como tato, olfato, paladar, etc. A consequência disso é calamitosa, com os nervos a flor da pele e toda essa inquietação agressiva extremista que tem nos engolido – mesmo que em menor proporção ultimamente – esse material reprimido freudiano recalcado e guardado no inconsciente, vem disfarçado das mais diversas formas possíveis e  externado em alguns casos como um grito de socorro dissuasivo, resultando desejos superficiais de um devaneio surreal. Para compreender melhor esse post é obrigatório assistir o vídeo abaixo.



               Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.
Com essa celebre frase do filosofo russo Liev Tolstoi, que quase no final da vida  abraçou a causa pacifista, começo a olhar para dentro de casa, neste caso Belém, minha saudosa mangueirosa. Funcionários de uma rede de supermercados há poucas semanas, paralisavam uma das principais ruas da cidade. Protestavam por melhores salários e condições de trabalho. Foi uma forma correta de protesto, pelas causas certas e justas, digno do autor do livro Guerra e Paz. Apesar de todo o transtorno na avenida com um engarrafamento estratosférico, a causa foi aplaudida e sem gerar nenhuma indignação foi apoiada com vários likes nas redes sociais em seus compartilhamentos regionais. Subentendeu-se uma real necessidade da classe trabalhadora que em seu cotidiano sofre constantes abusos por parte do alto escalão empresarial. No fim das contas o que retratavam eram apenas seus direitos, explícitos na constituição trabalhista.
Ao contrario do que pareceu ser um dos protestos mais polêmicos até então, a manifestação da classe artística (atores, diretores, fotografos, etc), no Terrua Pará que acabou gerando a revolta principalmente de vários outros artistas de outras áreas (leia-se músicos) do pequeno meio cultural que nossa cidade hoje abraça. 
No meio dos protestos sobrou a duvida se na verdade não seria um indevido ressentimento com uma pequena parte que saboreia e se lambuza de mais da metade das verbas destinadas à cultura paraense em uma irregular distribuição dessa renda. Fica no emocional comum: Eu também quero um pedaço desse bolo.
Uma outra parte acredita fielmente, que os mesmos que interromperam o Terrua Pará, já "mamam" demais nas tetas de leis de incentivo e o que querem é pedir demais. A conclusão é que não houve conclusão, um verdadeiro cabo de guerra, de cada lado artistas de todas as vertentes desconfiados e desacreditados uns nos outros.

                                     "Artistas vivem de pires na mão"

Para se entender melhor, uma das leis de incentivo é a Lei Semear, que tem como objetivo teórico ajudar os projetos dos artistas paraenses, gerenciando a captação de recursos para projetos aprovados. O problema não é o selo de aprovação da Lei, e sim, conseguir a empresa que queira ser “patrocinadora”. A lei tem como único foco a exerção sob a forma de renuncia fiscal de até 80%. Os 20% restantes serão provenientes dos recursos próprios do patrocinador. Em resumo, os peixes pequenos podem dizer até logo a esse “incentivo”. Conheço grandes musicos com lindas obras esperando uma ajuda para a prensagem de um disco ou a primeira gravação de seu material, mas infelizmente estão distantes da existente “panela” e acabam não conseguindo apoio via Lei Semear, permanecendo escondido nas sombras por tempo indeterminado. Passa ano, entra ano e são sempre os mesmos artistas, os mesmos nomes que conseguem o apoio. Existe uma meia dúzia que praticamente vivem de Semear. Peixes grandes. Apenas eles. Esses tubarões da arrecadação nem se dão ao trabalho ou mesmo fazem questão que nada mude. Olho vivo e “olho de boto” por ai, e cuidado com a histeria coletiva oportunista astuciosa, ela esta por todos os lados.