Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

"Licença Tia, Ta Filmando!"

“Os fins justificam os meios”. Essa é toda a premissa dada em resumo para a obra de Nicolau Maquiavel, filosofo político, autor do considerado por muitos, o manual da política moderna, O Príncipe. Leitura básica de alunos de terceiro ano, pré-vestibular, vendido hoje até em farmacia. Já leu?                                                                        
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A imprensa esta de luto. Registros emocionados tomam conta dos canais abertos, com direito a closer nas lagrimas dos desolados jornalistas. Em uma das narrativas, a repórter se mostra incapaz de continuar a gravação, mesmo assim a cena que deveria constar apenas nos bastidores, vai ao ar. O Brasil inteiro chora comovido pela união da classe. Apesar do falecido ser cinegrafista do canal Band de televisão, a rival, rede Globo,  emissora líder de audiência no Brasil – aquela que o brasileiro ama falar mal, mas é incapaz de deixá-la – não teve como fugir da divulgação extra-gratuita para a concorrente dessa vez. Devem ter lamentado não ter sido um cinegrafista da casa.
Vivemos uma conduta massificada perniciosa. O protótipo de cidadão, então se sente injustiçado, ludibriado, sedento a procura de um alvo. Um único culpado. A culpa é de quem? Na caçada por um réu, encontraram um manifestante retumbante pelo caminho das fitas gravadas, para em seguida ser levado e pregado em sua cruz particular, representando assim, uma espécie de Jesus Cheguevariano, que mais uma vez, morre pelos pecados da humanidade. Ele é culpado? Sim, com todas as letras, existem provas que o acusado foi o responsável direto pela morte do cinegrafista. Para o Brasil, certamente o caso chega ao seu derradeiro fim. Culpado preso, problema resolvido. Rápido e limpo, sem marcas ou cicatrizes. Para dar tempo de voltar cedo e ver o Big Brother Brasil.
Será exagero dizer que todos nós possuímos uma espécie de alienação moral carnista? Uma fácil dissociação psicológica e moral entre produto e origem. Imprudente? Se pararmos para pensar sobre os efeitos dessa lógica, e montarmos uma breve analogia ao caso, a raiz de todo o problema não será encontrada apenas na pessoa que soltou o rojão, acendeu ou comprou. Pense mais um pouco, caro ser pensante livre, de quem mais seria a culpa? Sim, isso mesmo, seria nossa, a individualista sociedade mecanicista.
"A classe jornalista se uniu para fazer uma bonita manifestação em memória do cinegrafista em Curitiba". "Lula lamenta pela morte do cinegrafista Santiago Andrade". "A ONU condenou o manifestante e se mostra preocupada com a violência nas manifestações no Brasil". Estas e mais umas centenas de milhares de arrobas de manchetes, matérias e comentários pipocam desse audaz vespeiro brasileiro chamado internet. E é só, para por ai, é com essa superficialidade que tratamos nossos problemas por aqui. Essa é a maneira mais fácil, ágil e barata para resolvermos. O problema continua sendo o de sempre, sabe aquelas coisas que o seu avô, gritava por mudança? Aquele utópico estado político ideal, que apenas se viu até hoje, na obra prima de Platão?  Por que a nossa atual presidente e seu extenso governo, não tomam uma verdadeira medida a respeito? Impossível, surreal ou falta de interesse? 
A resposta para todos os nossos problemas sempre foi e será a base da educação e suas ramificações básicas. Enquanto, esse dinheiro não for investido de forma consciente, clara e certa para o seu destino, sem estradas tortuosas, cheias de desvios, chegando assim migalhas para o que realmente interessa, continuaremos burros e famintos. Um exemplo? E se todo esse dinheiro da Copa do Mundo fosse investido em educação pública?
Ao passo que estivermos mais empolgados com a Copa, do que com a própria educação, continuaremos culpando apenas os produtos resultantes dessa massa desgovernada e pronta para explodir, chamada Brasil. No tempo em que preferirmos algumas horas de diversão dispensável, ao invés da profissionalização de nossos educadores, continuaremos a ver cenas que dão vergonha alheia. Piada no mundo inteiro. Enquanto acharmos graça de vídeos que circulam por WhatsApp e Youtube, com alunos brigando em sala de aula, e  professoras agindo naturalmente sem saber o que fazer no meio do olho do furacão – licença tia, ta filmando! – ou em um país onde os responsáveis por moldar mentes, estão preocupados com as vestimentas de um cidadão no aeroporto – aeroporto ou rodoviária? – não é de se admirar que estejam tão despreparados e desamparados, não entendendo assim seus direitos e deveres. Tudo esta tão errado, perdido e em queda livre, que o niilismo ativo de Nietzsche, nesta altura da vida se torna uma mão de via única.
Em novembro do ano passado meu pai veio a falecer de um ataque cardíaco fulminante, era véspera de seu aniversario de 65 anos.  Foi com ele que tive meu primeiro contato com a política. Ele acreditava fielmente que o nosso país iria mudar. Matogrossense nativo, mas formado em Brasília, participou de diversas manifestações nos seus tempos de faculdade. Sonhava com dias utópicos de igualdade. Morreu, deixando dois filhos e esposa. Partiu sem deslumbrar os dias melhores do nosso país. Se nada começar a se transformar de verdade, assim serei eu, você e seus filhos. Não existem libertadores, o povo liberta a si mesmo.

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"Se os fins justificam os meios, o que justifica os fins?" Segundo Leon Trótski, o fim por si só é um meio para outro fim. Qualquer fim é justificado se ele é por si só um meio de atingir o poder maior do homem sobre a natureza e a abolição do poder do homem sobre o homem. Trocando em miúdos, o fim pode, em si mesmo, ser visto como o meio para esse fim definitivo.



Abre A Boca, É Royal!


É cada vez mais eloquente e suasivo quando escrevo que continuo enxergando com maus olhos essas manifestações de massa e suas retaliações irracionais com seus resultados sempre pífios e suas comemorações herculanas. Confesso que não há nada de novo nesse discurso. Na verdade o que continua realmente me incomodando são os 90% dos participantes dessas manifestações. A geração Mac Donald com leitinho de pera e ovomaltine regada a madrugadas de Playstation. Eles ainda não compreendem que mesmo para quebrar e invadir propriedade alheia, precisa-se ter indagações e a refletividade dos fatos como um todo, buscar ser um individuo pensante livre em um mundo problemático com conteúdo argumentativo maiores que uma discussão de bar. Sem supletivos. Conhecer os reais motivos é mais do que ler dois parágrafos postados na rede social pela galerinha de esquerda cool cheguevariana ou da likes aos argumentos maliciosos e pretensiosos de alguns Lindenbergues de frente. Insisto nesta tecla, isso não é um playground, o que fará a diferença são atitudes estudadas e planejadas com base em conhecimento aprofundado do problema.  Quebre, cante, dance a macarena se quiser, mas sem fascismos genéricos da duração de uma transa espalhada no Whatsapp.
O caso Instituto Royal, é o exemplo definitivo da alienação dessa nova geração de ativistas virtuais. A comoção de um entrevistado dizendo que estaria ali, mesmo que se fossem ratinhos, chega a sensibilizar e convencer tanto quanto a teledramaturgia do SBT. O que essa gurizada tem que entender de uma vez por todas, é que o mundo é muito alem das fofuras e unhas pintadas do Instagram. A partir do momento, em que o consumo de carne é desenfreado, sim, aquele churrasco de final de semana, naquele rodízio que custa 30 reais por cabeça ou simplesmente o consumo diário em sua mesa com sua família, esta causando algo bem pior que o Instituto Royal – não quero defender em nenhum ponto a instituição, muito longe disso – Já parou para pensar como é o funcionamento de vários matadouros?! Precariedade e barbárie do começo ao fim. Animais que são tratados com tanto hormônio que deixaria Schwarzenegger com inveja de tanto anabolizante, mas esses não são tão fofos para merecerem ser resgatados ou mover um quebra-quebra irracional. Já imaginou como é o funcionamento nutricional do seu fast food predileto jovem ativista? Ou como é feita e produzida aquela sua blusa “maneira” da Nike? Mas porque se importar, o que você tem haver com aquele povo asiático escravizado para a produção diária do seu tênis que custa uma fortuna não é?
Por onde olhar em volta, bravo ativista, estará com os dois pés atolados na sujeira do mundo! Sabe aquela homenagem sem sentido para a virgem de Nazaré -  na procissão do Círio -  sabe o que causa aquele breve minuto de fogos de artifício? A morte prematura de dezenas de piriquitos do CAN. Mas isso ainda não tinha passado na sua cabecinha de porcelana, talvez esteja deslumbrado demais fotografando e tuitando: “partiu círio #fé”, para parar um segundo e perceber que o evento conseguiu ganhar tempo e enrolar o IBAMA, e nenhuma medida foi realmente tomada quanto a isso, que os meios de comunicação em massa nunca publicaram algo do gênero, por estarem de comum acordo, mas o mais importante é a fitinha no braço e uma nova foto no Face.
Sabe aquele carrinho que você achou o “máximo” tombar e incendiar? Não mudou em nada o planeta e nem deixou ninguém na pior – se era essa a sua intenção -  a seguradora paga um inteirinho para a emissora, e dessa forma, primitiva, pequena e preguiçosa o mundo continua conspirando contra o bravo ativista retumbante. É meu amigo, bem vindo ao verdadeiro paradigma de uma sociedade mecanicista. 

As piramides que nao estao no egito!

Ontem o meu dia foi marcado pela apoteótica descoberta do movimento que rege essas arapucas com esquemas pirâmides. Pude estar presente e ver a fundo o que realmente são e como agem para deslumbrar o cidadão desorientado. Já havia sido chamado para diversos outros empreendimentos que prometiam a garantia de vida boa e ganhos fáceis. Sempre se autodenominam “únicos”. Nunca há nada no mercado financeiro parecido. Roupagens diferentes com talvez ideologias diferentes, mas com o mesmo intuito, captar, melhor dizer, caçar novas presas para alimentar a cada vez crescente base da cadeia dos “futuros milionários”.
O povo brasileiro não esta acostumado com educação, gentileza e bom atendimento. Isso surpreende de cara aos desavisados e talvez até desesperados. A recepção é “grandiosa”. “Seja bem vindo, muito obrigado por você estar aqui hoje”. “Palmas para o nosso futuro iniciado”. De cara você se sente acolhido por aquele povo treinado para te agradar. “Você aceita, uma água ou talvez um café?”. Depois de uma pequena sabatina na entrada, onde o que realmente interessa é saber se é a sua primeira vez no evento, eles te arrastam para a primeira fileira, a frente da trincheira com outros virgens.  Enquanto aguardam o salão de recepção encher, em um telão passam vídeos engraçadinhos, vídeo-cassetadas, tudo para passar a sensação de bem estar. “Sinta-se em casa”, ou para alguns, “Aqui conosco você esta melhor do que em sua própria casa, somos sua nova família”.
Com meia hora de atraso do que haviam prometido começar, entra um senhor de 69 anos. O palestrante do dia. Vindo de fora, com dinheiro pago pela própria empresa, para dar seu “testemunho”. Sem perder tempo, entre piadinhas a la stand up e outros gracejos, dispara seu repertorio, sua triste historia de vida, tudo bem persuadido e redondinho, sem emendas. Algumas lagrimas são derramadas e tenho a impressão de ter ouvido um aleluia baixinho ao meu lado.

Em cinco minutos de palestra, questiono o ceifeiro à minha frente. Com uma enxurrada de indagações bato de frente com aquela muralha que se diz tão solida, contra dizendo-o sobre educação e busca de conhecimento. Ele teimava em afirmar que a educação era um sistema invalido para o crescimento financeiro da vida de todos, com uma formula matemática de sua autoria, ele tenta inserir na mente dos cidadãos ali presentes a ideia que você nunca conseguira montar uma empresa, porque as faculdades não te oferecem esse ensino, não existe um meio de encontrar esse conhecimento. Com a experiência que tenho de vida, herdada pelos meus pais, continuo a questiona-lo, dando o credito para meus genitores que começaram uma empresa há 20 anos, com pouquíssimo conhecimento da área e até hoje prosperam, com muita garra e suor, aprenderam com seus erros e acertos, e claro a busca do conhecimento aprofundado ao longo dos anos. Assim como tudo deve ser. O ancião tenta me calar com piadinhas de fácil entendimento popular. Onde, insisti em passar em frente, a ideologia que trabalho duro não vale a pena. Com uma manobra ensaiada, a equipe do empreendedor batem palmas, para cada palavra vociferada do palestrante. Tentando assim me calar.
Em meia hora de palestra consegue-se notar quais os retrospectos que a “família” empreendedora usa para te pescar. Fragilidade, todos que estão ali parecem estar realmente em busca de algo maior, mas o desejam da maneira mais fácil. Pais de família que não tiveram uma estrutura educacional e emocional para encarar a vida, se rendem facilmente aos encantos de uma nova oportunidade, onde apenas vantagens parecem existir.
Egolatria, se não fosse suficiente a promessa de salários de 300.000 mil reais, o ego do iniciado é abastecido com uma capa de revista da franquia de mesmo nome, rodando internamente o Brasil todo, com promessas de coquetéis, onde será ovacionado por mais de 2.000 pessoas. Quem não se renderia há tantos caprichos? Capas de revistas, pessoas gritando seu nome e confetes? Dinheiro, fama e status, o típico sonho rockstar. A plateia vai ao delírio. O Liminha da empresa puxa mais um turbilhão de palmas.
Redenção são pedidos para subirem ao palco enfileirados e classificados aqueles que tem mais “seguidores” na rede do empreendimento. Delta reds, alguma coisa assim. Tudo bem estereotipado. Sobem no meio de palmas e gritos de “uhuu”, pedreiros, sorveteiros, vendedores de rede, donas de casa. Sem desmerecimento algum, todo o trabalho tem seu valor, mas não tem como negar o fator informação, estrutura de conhecimento, todos ali presentes eram iscas fáceis e sugestivas de manipulação. Você os culparia? Com promessas de seguro de vida de 200.000 reais, após trinta dias de contrato assinado, caso você morra e outros direitos surreais, quem não se entregaria em êxtase? Mas o fator definitivo, nenhum veterano ali naquela sala ganhava 300.000 mil reais, nem 5% disso.
Na reta final da palestra, já recebia alguns olhares intimidadores, não apenas do palestrante – tinha a sensação que seria pedida a minha retirada a qualquer momento – como de algumas pessoas já convertidas. Depois de uma rápida explicação sobre o processo, e a tabela de valores a serem pagos, guardo a minha ultima pergunta, o que seria o gran finale, depois de passar quase duas horas descordando irreversivelmente do “divertido” palestrante. “Eu entendo que a empresa de vocês funcione com o velho esquema conhecido como pirâmide, mas o que difere vocês do telexfree, tirando a ideologia do “seja bem vindo só aceitamos pessoas do bem”?”. Essa pergunta foi como um tiro de prata em um lobisomem. Por um instante, a euforia tem fim, e o semblante do idoso muda, e lá vamos nós para mais explicações superficiais recheadas de piadinhas ofensivas. Ele desenha em um quadro, o esquema de pirâmide mais conhecido, e que realmente sua empresa parece fugir, mas não explica o fundamento real de seus ganhos e a segurança de deles. Mais uma vez discordo e faço um contra argumento, ele então entra no mérito que a empresa que trabalha, tem mais de 18 anos de vida, e me desafia a encontrar UMA reclamação, e se compara com empresas do poste da VIVO, CELPA, COSANPA, etc. Aposta que pagaria mil reais para cada reclamação que eu encontrasse de sua empresa contra um real de cada reclamação no PROCON da CELPA. Mais gritos e palmas. Sou o vilão da palestra, já entendi. Mas pergunto, colocando-o em xeque. “Quantas pessoas fazem parte da carteira de vocês, quantos fazem parte desse empreendimento de sucesso?” A resposta vem tímida, 60.000 pessoas por todo o Brasil. Em meu rosto abre um sorriso arrogante, confesso e disparo: “Você quer comparar 60.000 pessoas contra mais de um milhão que vivem só em Belém e usufruem da RedeCelpa por exemplo? Com gato espalhado para todo o lado, problemas que vão alem de conhecimento público e uma empresa que já tem mais de cinco vezes a idade da tua empresa? Não tem como comparar”. Evidente, que ele não deixaria barato. Sou silenciado por mais um punhado de piadinhas e mais uma torrencial chuva de palmas, puxadas pelo Liminha da equipe. Lembrando que o palestrante, tinha mais de sete anos de trabalho, e tinha 1.170 “seguidores” e ainda também não recebia esses 300.000, afinal de contas quem ganha essa porra?
O velho da mais uma olhada no relógio, era chegada a hora, o “culto” tinha que encerrar depois de um jovem casal dar seu testemunho de como a vida estava maravilhosa, e sua esposa falar que era o melhor investimento para a mulher. O funcionamento é o mesmo de uma seita. Era a hora dos virgens, sentados a frente caírem para o abate ou aceitarem Jesus. O ceifeiro, sabiamente, pulou minha vez, e começou a “arrematar” o seu rebanho. A pressão psicológica é gigantesca. “Você não deseja entrar? Não?! Só pode haver duas explicações, ou você não entendeu nada, ou sobrou alguma duvida! Estou aqui para tirar todas as suas duvidas! Você não deseja ganhar 300.000 reais?!” Questiona o pseudo-pastor-financeiro. “SIM, eu aceito!” Pode abrir o contrato, você deseja pagar como? Cartão, Boleto ou cheque? Parabéns você é mais um futuro empreendedor de sucesso, sua família agradece você por ter pensado nela em primeiro lugar. Palmas para ele. A palestra termina com talvez 10 no  novos iniciados na “seita econômica bem sucedida”.
Enquanto caminho pelo salão, os olhares são de reprovação. Com a cabeça erguida e um sorriso sarcástico satisfeito deixo as trincheiras do “inimigo”. Mas talvez em um último golpe, uma ultima tentativa desesperada, sou abordado por um dos missionários que abre uma pasta com uma foto, de um cara com um daqueles cheques de programa de auditório no valor de 300.000 reais. “Você não gostaria de ter esse valor na sua renda?” Pergunto o seu nome com toda a educação que ainda me resta, e explico cuidadosamente meu ponto de vista sobre toda aquela orgia financeira e a manipulação consistente nesse tipo de investimento. Com um bônus track faço uma rápida analogia sobre o mito da caverna de Platão e a empresa que ele trabalha. Dou um caloroso boa noite e volto satisfeito pela experiência.

Virtude, Dever...Utilidade?



 Todos nos conhecemos os conceitos-chave da política: liberdade, igualdade, justiça, direitos, etc. Conceitos esses tão antigos quanto a humanidade. Aristóteles tentou criar o que seria o manual básico definitivo em “Política”. Divididos em oito livros, o filosofo determina de forma assídua, papeis, deveres e direitos do homem na sociedade. Em tese, a utópica formula da felicidade, do bem estar do cidadão, da convivência plena e inebriante. Entretanto o primeiro questionamento é, será que um dia o homem já foi  - ou será - realmente capaz de viver dessa forma, em total harmonia com o seu próximo, usufruindo de todos os conceitos-chave – encarada nos dias de hoje com um total niilismo ceticista progressivo? 

       De Aristóteles até a atual era de Valesca Popozuda, o globo nunca parou de girar e vários conceitos foram sendo modificados ao longo dos séculos. O único problema é, que algumas “imperfeições” na genesis do “manual básico”, demoram demais para serem derrubadas e reavaliadas. Isso acaba gerando um atraso sísmico na evolução intelectual do embrionário cidadão, deixando cada vez mais defasado a estrutura de sociedade funcional e feliz (eu zen) que Platão criou e Aristóteles aperfeiçoou e difundiu. Sua obra se tornaria a base de todas as escolas de filosofia política no mundo intercultural da Idade Média – árabe, judaica e cristã. Talvez uma das mais influentes e eloqüentes afirmações seja a chave-mestra de sua obra: “o homem é, por natureza, um ser vivo político”. 
Em uma analise do Livro I, Aristóteles dilucida a sequência “senhor – servo”. Ele aceitava a escravatura e considerava algo como desejado pelos os escravos por natureza. Em seu conceito primário exaltava, que desde o nascimento, uns estão destinados por natureza a serem regidos e outros a reger, uns nascem livres e outros são escravos por natureza. Condena, porém, a existência de escravos por convenção (resultantes de contrato ou conquista, ou seja, escravos ao pé da letra, como todos conhecem em livros de historia da quinta serie). Justificava a escravatura natural pela suposta incapacidade de certos homens de governarem a si mesmos.

Consegue perceber? São escrituras datadas de III a.Cristo, e desde essa época já alertavam e instigavam: Sem conhecimento, você esta destinado a fracassar, a ser um ser sem voz, um bestificado, um cidadão atônito. “Os mais sábios tem a maior autoridade”, atribuído a Platão. Questiono, será que realmente é culpa dos políticos atuais, ou do povo a atual situação de calamidade em que vivemos?

O ser humano por natureza é um ser autodestrutivo, como um lúpus no sistema imunológico da sociedade. No Brasil foram preciso mais de três séculos para o fim da escravatura, desde o seu “descobrimento” foram exatos 388 anos de escravidão. A verdade é que tais ensinamentos Platônicos, mesmo “reconfigurados” por Aristóteles, são adaptados ao ver de qualquer um, e nunca foram (e serão) levados a risca. É a visão de Individualismo de Sartre sendo distorcida e inserida como a máxima de vida.
Ao decorrer de seus livros encontramos algumas falhas básicas como ainda no Livro I, a mulher não é vista como cidadã e não detinha o direito de votar, os tempos eram outros, tudo bem, mas demorar mais de 2000 anos para mudar esse conceito tão antiquado? A mulher brasileira só deteve o direito de votar em 1932. Mesmo assim o código apenas permitia mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria.
 O “samba do crioulo doido” ficara tocando em loop infinito até quando? É certo, esta passando da hora de um novo conceito de governar, de administrar, é preciso algo maior que uma transmutação, algo maior que modificar o sistema atual, por favor, sem emendas. Não funcionara como a troca de um computador, com upgrades e sim um novo recomeço. Um novo periférico, uma outra saída da caverna, algo tão avassalador e inovador como há milênios atrás, com o conceito de Política. Mas claro, isso são divagações filosóficas platônicas de um aspirante de fim de semana.
 

 

Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas


Para uma civilização consumista, hedonista, narcisista repleta de pessoas descartáveis, a breve passagem do novo Papa pelo Brasil, pareceu trazer um ar de esperança e renovação ao abalado dogma religioso católico, que um dia já foi hegemônico em terras tupiniquins.

Diante do senso comum, vivemos uma era em que o registro fotográfico, em qualquer qualidade, se tornou muito mais importante do que vivenciar a própria experiência. Enquanto o carismático Papa Francisco surpreendeu a todos com uma mudança de rota, atravessando a massa ansiosa de fieis (que o aguardavam chegar de helicóptero) em um carro comum, os próprios voluntários da Jornada Mundial da Juventude – responsáveis pela “segurança” do Papa – que formavam um corredor humano para a facilitação do acesso de vossa santidade ao seu destino, burlavam suas tarefas e muitos se transformaram em verdadeiros “tietes-paparazzos”, abandonando assim os seus postos para tocarem, nem que seja o carro do Papa, em um registro sem foco no celular. Acabaram dando mais trabalho que os próprios devotos para o verdadeiro grupo de segurança papal.



Muito se falou sobre a visita do Papa e da nossa querida presidente que continua em queda livre nas pesquisas de popularidade. Dilma hoje respira o seu próprio longa “A espera de um milagre”. Em todo lugar leu-se sobre como a senhorita Rousseff se aproveitou do momento para mais um discurso pro-petista de seu governo. Outro assunto exaltado foi a “egípcia” que o Presidente do Supremo - para os íntimos o super Joca - deu em vossa presidente. Golpe de marketing, ou simplesmente desafeto? No blog de Fernando Henrique Amorim, o jornalista afirma que em quanto esperavam o Papa Francisco, em uma sala VIP, havia confraternização de todos os poderes, inclusive vários sorrisos e palavras trocados entre Joaquim e Dilma. O que teria acontecido é que o presidente do supremo, não haveria sentido necessidade de mais cumprimentações no momento de conhecer vossa santidade, mas a PiG (Partido da Imprensa Golpista) fez questão de retratar como falta de educação e sensacionalizar o caso. 


Mergulhando no meio da pororoca sozinho [cuidado contém spoilers sobre a vida]. 

"Todas as religiões, com seus deuses, semideuses, profetas, messias e santos, são resultado da fantasia e credulidade de homens que ainda não atingiram o total desenvolvimento e personalidade das suas capacidades intelectuais."
Mikhail Bakunin
O ser humano possui uma incrível facilidade de adoração, uma necessidade verdadeira que atravessa os milênios. Somos incapazes de aprender, escutar, refletir ou mesmo nos divertir sem reverencias e enaltecimentos. A fragilidade humana chega ao ápice de um verdadeiro vazio interior, com uma carência que apenas se mostra saciada com a nossa própria subjugação.

Refletir sobre isso, é no mínimo intrigante, mesmo que seja em uma tese argumentativa da profundidade de um pires.

 No começo da década de 60, no auge da Beatlemania, muitos acreditavam que os Beatles eram anjos, há registros de mães pedindo aos integrantes da banda que tocassem em seus rebentos como forma de bênção. 
Beatlemania: Manson é um dos que acreditavam em todo o misticismo em volta dos Fab Four
Manson ja foi considerado pelos Estados Unidos o homem mais perigoso da terra
No final da década de 60, a mente diabólica de Charles Manson com então 33 anos, comandou uma comunidade, onde com o seu incrível dom de persuadir, fez um pequeno grupo acreditar que uma guerra entre negros e brancos iria começar em breve e que era o seu papel salvar os poucos escolhidos que sobreviveriam ao caos que estava por vir. Foi o mandante do horrendo assassinato da atriz Sharon Tate, mulher do diretor do filme “O bebe de Rosemary”. Manson aos 78 anos hoje, cumpri prisão perpetua, e seus cúmplices pegaram pena de morte na época.

Jim Jones e sua Jonestown.
 O líder religioso do Templo dos Povos, Jim Jones em 1977 levou os primeiros 50 seguidores da sua seita para o que seria o paraíso na terra, a Jonestown. Um ano depois Jones já teria conduzido para sua utópica comunidade 900 novos fieis, todos saindo de San Francisco, Califórnia em voos direto para Port Kaiutuma na Guiana Francesa. Quando Jones viu seu sonho ir por agua abaixo, por causa de denuncias de irregularidades, coordenou o maior suicídio em massa já visto ate hoje, em menos de cinco minutos mais de 900 pessoas tiraram suas vidas com uma mistura de cloreto de cianeto e sedativos.

Jonestown: O maior suicídio da historia. Dos 918 corpos, 270 eram crianças
Lá atrás no antigo Testamento, conta a historia que na ausência de Moisés, o povo hebreu desorientado sem um guia espiritual, derreteu todo o ouro que tinham e construíram um bezerro de ouro, para em seguida começarem a adora-lo e a oferece-lo sacrifícios.




Qual será o sentido para tudo isso? Talvez se o homem perdesse um pouco do seu sempre escasso tempo buscando um santuário interior, em uma forma de auto sustentação, estaríamos mais cientes de certas armadilhas espirituais. Entendo que assim como a mente não pode transmitir com clareza o que não entende, também não se possa exprimir e manifestar o desapego de velhas necessidades. Mas ao invés de evoluirmos dia após dia, conseguimos ser mais enganados, afundar mais em velhos dogmas. Alguns reinventados e modernizados conforme o gosto excêntrico do cliente. Cientologia? Religião alienígena? Em um mundo globalizado é difícil de acreditar que ainda possamos aceitar certas coisas. Um equilíbrio é o que precisamos encontrar em raros momentos de meditação, uma concepção bem maior de que realmente nos cerca. Contudo, fazendo uma rápida varredura de tudo que o ser humano passou em todos esses milênios de evolução, descobrimos que nunca fomos seres pensantes livres de verdade, sempre fomos e seremos presos a amarras impostas por nos mesmos, ou não. Parece  essa ser a verdadeira natureza humana, toda sua forma de expressão é uma grande mentira. Nos dias de hoje sinônimo de liberdade e autoafirmação é o degenerado postar uma foto no Instagram esfregando o pênis nos sanduíches da Subway.