Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

Abre A Boca, É Royal!


É cada vez mais eloquente e suasivo quando escrevo que continuo enxergando com maus olhos essas manifestações de massa e suas retaliações irracionais com seus resultados sempre pífios e suas comemorações herculanas. Confesso que não há nada de novo nesse discurso. Na verdade o que continua realmente me incomodando são os 90% dos participantes dessas manifestações. A geração Mac Donald com leitinho de pera e ovomaltine regada a madrugadas de Playstation. Eles ainda não compreendem que mesmo para quebrar e invadir propriedade alheia, precisa-se ter indagações e a refletividade dos fatos como um todo, buscar ser um individuo pensante livre em um mundo problemático com conteúdo argumentativo maiores que uma discussão de bar. Sem supletivos. Conhecer os reais motivos é mais do que ler dois parágrafos postados na rede social pela galerinha de esquerda cool cheguevariana ou da likes aos argumentos maliciosos e pretensiosos de alguns Lindenbergues de frente. Insisto nesta tecla, isso não é um playground, o que fará a diferença são atitudes estudadas e planejadas com base em conhecimento aprofundado do problema.  Quebre, cante, dance a macarena se quiser, mas sem fascismos genéricos da duração de uma transa espalhada no Whatsapp.
O caso Instituto Royal, é o exemplo definitivo da alienação dessa nova geração de ativistas virtuais. A comoção de um entrevistado dizendo que estaria ali, mesmo que se fossem ratinhos, chega a sensibilizar e convencer tanto quanto a teledramaturgia do SBT. O que essa gurizada tem que entender de uma vez por todas, é que o mundo é muito alem das fofuras e unhas pintadas do Instagram. A partir do momento, em que o consumo de carne é desenfreado, sim, aquele churrasco de final de semana, naquele rodízio que custa 30 reais por cabeça ou simplesmente o consumo diário em sua mesa com sua família, esta causando algo bem pior que o Instituto Royal – não quero defender em nenhum ponto a instituição, muito longe disso – Já parou para pensar como é o funcionamento de vários matadouros?! Precariedade e barbárie do começo ao fim. Animais que são tratados com tanto hormônio que deixaria Schwarzenegger com inveja de tanto anabolizante, mas esses não são tão fofos para merecerem ser resgatados ou mover um quebra-quebra irracional. Já imaginou como é o funcionamento nutricional do seu fast food predileto jovem ativista? Ou como é feita e produzida aquela sua blusa “maneira” da Nike? Mas porque se importar, o que você tem haver com aquele povo asiático escravizado para a produção diária do seu tênis que custa uma fortuna não é?
Por onde olhar em volta, bravo ativista, estará com os dois pés atolados na sujeira do mundo! Sabe aquela homenagem sem sentido para a virgem de Nazaré -  na procissão do Círio -  sabe o que causa aquele breve minuto de fogos de artifício? A morte prematura de dezenas de piriquitos do CAN. Mas isso ainda não tinha passado na sua cabecinha de porcelana, talvez esteja deslumbrado demais fotografando e tuitando: “partiu círio #fé”, para parar um segundo e perceber que o evento conseguiu ganhar tempo e enrolar o IBAMA, e nenhuma medida foi realmente tomada quanto a isso, que os meios de comunicação em massa nunca publicaram algo do gênero, por estarem de comum acordo, mas o mais importante é a fitinha no braço e uma nova foto no Face.
Sabe aquele carrinho que você achou o “máximo” tombar e incendiar? Não mudou em nada o planeta e nem deixou ninguém na pior – se era essa a sua intenção -  a seguradora paga um inteirinho para a emissora, e dessa forma, primitiva, pequena e preguiçosa o mundo continua conspirando contra o bravo ativista retumbante. É meu amigo, bem vindo ao verdadeiro paradigma de uma sociedade mecanicista.