Em 2006 na Cidade do México, um
grupo de garotas de um internato católico passou a ter, ao mesmo tempo,
fraqueza, dificuldade de locomoção, febre, náuseas e desmaios. Ao retornar das
férias, o mal se espalhou ainda mais. No total, 600 das 3.600 internas demonstraram
os mesmos sintomas. Segundo as autoridades, sem nenhuma causa orgânica. Outro
caso “contagiante” ocorreu na cidade de Tanganica, no país africano da
Tanzânia. A criançada começou a rir sem motivo algum na escola e
acabou “contaminando” os pais em suas casas. A risadaria nonsense
atingiu vizinhos e centenas de outras pessoas, que riram durante seis meses. A
epidemia, analisada em um artigo do Jornal Internacional de Pesquisa,
relatava dores, dificuldades respiratórias e ataques de choro. Apesar dos
dois casos terem sido em lugares e situações distintas, o diagnostico é
coalescente: Histeria Coletiva.
É o que parece que vem
acontecendo hoje no Brasil, uma Histeria Coletiva Oportunista Astuciosa. Grupos
de todos os gêneros, dogmas, segmentos e tamanhos reivindicando melhorias de
vida em geral. O problema é que muitas vezes a doença faz a massa ficar mais
ansiosa e perder o controle sobre atos e emoções, além de turbinar os sentidos,
como tato, olfato, paladar, etc. A consequência disso é calamitosa, com os
nervos a flor da pele e toda essa inquietação agressiva extremista que tem nos
engolido – mesmo que em menor proporção ultimamente – esse material reprimido
freudiano recalcado e guardado no inconsciente, vem disfarçado das mais diversas
formas possíveis e externado em alguns casos como um grito de socorro dissuasivo,
resultando desejos superficiais de um devaneio surreal. Para compreender melhor
esse post é obrigatório assistir o vídeo abaixo.
Todos
pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.
Com essa
celebre frase do filosofo russo Liev Tolstoi, que quase no final da vida abraçou a causa
pacifista, começo a olhar para dentro de casa, neste caso Belém, minha saudosa
mangueirosa. Funcionários de uma rede de
supermercados há poucas semanas, paralisavam uma das principais ruas da cidade.
Protestavam por melhores salários e condições de trabalho. Foi uma forma correta de
protesto, pelas causas certas e justas, digno do autor do livro Guerra e Paz. Apesar de todo o transtorno na avenida
com um engarrafamento estratosférico, a causa foi aplaudida e sem gerar nenhuma
indignação foi apoiada com vários likes nas redes sociais em seus
compartilhamentos regionais. Subentendeu-se uma real necessidade da classe
trabalhadora que em seu cotidiano sofre constantes abusos por parte do alto
escalão empresarial. No fim das contas o que retratavam eram apenas seus direitos, explícitos na constituição trabalhista.
Ao contrario do que pareceu ser
um dos protestos mais polêmicos até então, a manifestação da classe artística (atores, diretores, fotografos, etc), no
Terrua Pará que acabou gerando a revolta principalmente de vários outros
artistas de outras áreas (leia-se músicos) do pequeno meio cultural que nossa cidade hoje abraça.
No meio dos protestos sobrou a
duvida se na verdade não seria um indevido ressentimento com uma pequena parte que saboreia
e se lambuza de mais da metade das verbas destinadas à cultura paraense em uma
irregular distribuição dessa renda. Fica no emocional comum: Eu também quero um
pedaço desse bolo.
Uma outra parte acredita fielmente, que os mesmos que interromperam o Terrua Pará, já "mamam" demais nas tetas de leis de incentivo e o que querem é pedir demais. A conclusão é que não houve conclusão, um verdadeiro cabo de guerra, de cada lado artistas de todas as vertentes desconfiados e desacreditados uns nos outros.
"Artistas vivem de pires na mão"
Para se entender melhor, uma das leis de incentivo é a Lei Semear, que tem como
objetivo teórico ajudar os projetos dos artistas paraenses, gerenciando a captação
de recursos para projetos aprovados. O problema não é o selo de aprovação da
Lei, e sim, conseguir a empresa que queira ser “patrocinadora”. A lei tem como único
foco a exerção sob a forma de renuncia fiscal de até 80%. Os 20% restantes
serão provenientes dos recursos próprios do patrocinador. Em resumo, os peixes
pequenos podem dizer até logo a esse “incentivo”. Conheço grandes musicos com lindas obras esperando uma ajuda para a prensagem de um disco ou a primeira gravação de seu material, mas infelizmente estão
distantes da existente “panela” e acabam não conseguindo apoio via Lei Semear, permanecendo escondido nas sombras por tempo indeterminado. Passa
ano, entra ano e são sempre os mesmos artistas, os mesmos nomes que conseguem o apoio. Existe uma
meia dúzia que praticamente vivem de Semear. Peixes grandes. Apenas
eles. Esses tubarões da arrecadação nem se dão ao trabalho ou mesmo fazem questão que nada mude.
Olho vivo e “olho de boto” por ai, e cuidado com a histeria coletiva
oportunista astuciosa, ela esta por todos os lados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário