Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

"Licença Tia, Ta Filmando!"

“Os fins justificam os meios”. Essa é toda a premissa dada em resumo para a obra de Nicolau Maquiavel, filosofo político, autor do considerado por muitos, o manual da política moderna, O Príncipe. Leitura básica de alunos de terceiro ano, pré-vestibular, vendido hoje até em farmacia. Já leu?                                                                        
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A imprensa esta de luto. Registros emocionados tomam conta dos canais abertos, com direito a closer nas lagrimas dos desolados jornalistas. Em uma das narrativas, a repórter se mostra incapaz de continuar a gravação, mesmo assim a cena que deveria constar apenas nos bastidores, vai ao ar. O Brasil inteiro chora comovido pela união da classe. Apesar do falecido ser cinegrafista do canal Band de televisão, a rival, rede Globo,  emissora líder de audiência no Brasil – aquela que o brasileiro ama falar mal, mas é incapaz de deixá-la – não teve como fugir da divulgação extra-gratuita para a concorrente dessa vez. Devem ter lamentado não ter sido um cinegrafista da casa.
Vivemos uma conduta massificada perniciosa. O protótipo de cidadão, então se sente injustiçado, ludibriado, sedento a procura de um alvo. Um único culpado. A culpa é de quem? Na caçada por um réu, encontraram um manifestante retumbante pelo caminho das fitas gravadas, para em seguida ser levado e pregado em sua cruz particular, representando assim, uma espécie de Jesus Cheguevariano, que mais uma vez, morre pelos pecados da humanidade. Ele é culpado? Sim, com todas as letras, existem provas que o acusado foi o responsável direto pela morte do cinegrafista. Para o Brasil, certamente o caso chega ao seu derradeiro fim. Culpado preso, problema resolvido. Rápido e limpo, sem marcas ou cicatrizes. Para dar tempo de voltar cedo e ver o Big Brother Brasil.
Será exagero dizer que todos nós possuímos uma espécie de alienação moral carnista? Uma fácil dissociação psicológica e moral entre produto e origem. Imprudente? Se pararmos para pensar sobre os efeitos dessa lógica, e montarmos uma breve analogia ao caso, a raiz de todo o problema não será encontrada apenas na pessoa que soltou o rojão, acendeu ou comprou. Pense mais um pouco, caro ser pensante livre, de quem mais seria a culpa? Sim, isso mesmo, seria nossa, a individualista sociedade mecanicista.
"A classe jornalista se uniu para fazer uma bonita manifestação em memória do cinegrafista em Curitiba". "Lula lamenta pela morte do cinegrafista Santiago Andrade". "A ONU condenou o manifestante e se mostra preocupada com a violência nas manifestações no Brasil". Estas e mais umas centenas de milhares de arrobas de manchetes, matérias e comentários pipocam desse audaz vespeiro brasileiro chamado internet. E é só, para por ai, é com essa superficialidade que tratamos nossos problemas por aqui. Essa é a maneira mais fácil, ágil e barata para resolvermos. O problema continua sendo o de sempre, sabe aquelas coisas que o seu avô, gritava por mudança? Aquele utópico estado político ideal, que apenas se viu até hoje, na obra prima de Platão?  Por que a nossa atual presidente e seu extenso governo, não tomam uma verdadeira medida a respeito? Impossível, surreal ou falta de interesse? 
A resposta para todos os nossos problemas sempre foi e será a base da educação e suas ramificações básicas. Enquanto, esse dinheiro não for investido de forma consciente, clara e certa para o seu destino, sem estradas tortuosas, cheias de desvios, chegando assim migalhas para o que realmente interessa, continuaremos burros e famintos. Um exemplo? E se todo esse dinheiro da Copa do Mundo fosse investido em educação pública?
Ao passo que estivermos mais empolgados com a Copa, do que com a própria educação, continuaremos culpando apenas os produtos resultantes dessa massa desgovernada e pronta para explodir, chamada Brasil. No tempo em que preferirmos algumas horas de diversão dispensável, ao invés da profissionalização de nossos educadores, continuaremos a ver cenas que dão vergonha alheia. Piada no mundo inteiro. Enquanto acharmos graça de vídeos que circulam por WhatsApp e Youtube, com alunos brigando em sala de aula, e  professoras agindo naturalmente sem saber o que fazer no meio do olho do furacão – licença tia, ta filmando! – ou em um país onde os responsáveis por moldar mentes, estão preocupados com as vestimentas de um cidadão no aeroporto – aeroporto ou rodoviária? – não é de se admirar que estejam tão despreparados e desamparados, não entendendo assim seus direitos e deveres. Tudo esta tão errado, perdido e em queda livre, que o niilismo ativo de Nietzsche, nesta altura da vida se torna uma mão de via única.
Em novembro do ano passado meu pai veio a falecer de um ataque cardíaco fulminante, era véspera de seu aniversario de 65 anos.  Foi com ele que tive meu primeiro contato com a política. Ele acreditava fielmente que o nosso país iria mudar. Matogrossense nativo, mas formado em Brasília, participou de diversas manifestações nos seus tempos de faculdade. Sonhava com dias utópicos de igualdade. Morreu, deixando dois filhos e esposa. Partiu sem deslumbrar os dias melhores do nosso país. Se nada começar a se transformar de verdade, assim serei eu, você e seus filhos. Não existem libertadores, o povo liberta a si mesmo.

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"Se os fins justificam os meios, o que justifica os fins?" Segundo Leon Trótski, o fim por si só é um meio para outro fim. Qualquer fim é justificado se ele é por si só um meio de atingir o poder maior do homem sobre a natureza e a abolição do poder do homem sobre o homem. Trocando em miúdos, o fim pode, em si mesmo, ser visto como o meio para esse fim definitivo.