Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

Manifestações: Um outro lado da moeda


simbolo máximo dessa nova geração
As pessoas nunca estiveram tão politizadas. De repente respira-se politica nos quatro cantos do Brasil. Eu poderia escrever vários parágrafos exaltando e glorificando todo esse colossal patriotismo exacerbado de niilismo passivo, mas vou esperar mais um pouco. Brasileiro tem a memória curta demais, quase comparada com a de um peixinho de aquário. Somos levados por qualquer vento de doutrina que nos faça por breves instantes que seja, sair do marasmo das nossas rotinas cotidianas de “memes“ e outras correntes “infantiloídes” das já consagradas e enraizadas redes sociais de nossas vidas.

 Confesso que acho bonito ver o povo manifestando e colocando finalmente para fora anos de insatisfações com nossos líderes governantes. É de um lirismo Kerouaquiano ver a massa unida, reivindicando como uma unidade orgânica, com o entusiasmo – desordenado do momento – subjaz a ideia de um gigante não mais adormecido. “Saímos do Facebook”, este cartaz poderia ser o símbolo de todo o movimento. Não tem como não se emocionar com a cena do Hino Nacional sendo cantado bravamente a exaustão em pleno Congresso Nacional. “Veras que um filho teu não foge a luta”.
 
Lindbergh no canto direito. Envolvimento direto com Dirceu.
2010. Lindberg caminha hoje lado a lado com quem "ajudou" a tirar do poder.
 Entretanto, sou de 1983, não sou mais tão jovem, como alguns de nossos atuais manifestantes. Onde quero chegar? Morava em Brasília quando explodiu um movimento chamado Caras Pintadas em 1992, aos nove anos de idade vi um jovem que assim como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones, presidente da UNE, chamado Luiz Lindbergh Farias. Com seus 23 anos, foi um dos líderes do movimento que “causaria” o impeachment do então presidente da república Fernando Collor de Mello. Foi o começo para Lindbergh Farias na política. Hoje, senador do Rio de Janeiro aos 44 anos, parece ter esquecido todos aqueles ideais bem intencionados da época de Cara Pintada. Em 2011 foi flagrado em uma nova marcha, agora pelos corredores do Senado com as companhias de Walter Pinheiro (PT-BA) e Delcídio Amaral (PT-MS) direto ao gabinete secreto do conspirador José Dirceu para fazer uma “Genoflexão”. De Cara Pintada a Cara de Pau. Consegue enxergar o problema? Uma escoria em minoria, aproveitadora, se infiltra, sempre visando no gigantesco contexto de algo benévolo e conseguindo drenar e manobrar tudo para seus próprios interesses. Essas especies de ervas daninhas são  o real motivo do meu ceticismo que beira perceptivelmente ao sarcasmo em alguns dos meus textos, e à minha resistência em aderir ou simplesmente enxergar tais manifestações com credibilidade.

Quero apenas ressaltar que toda historia sempre tem outras versões, que antes de pular de cabeça desse trampolim e mergulhar fundo nesse turbilhão de emoções, respire, pense. Mesmo que não concorde, reflita, questione, saiba que existe  um outro lado da moeda. Sem querer ser divergente demais, realmente espero que essa “moda” de manifestos seja duradoura, e traga resultados positivos, apesar de sempre existirem aproveitadores por trás, é bom saber que ainda tem gente gritando e disposto a pagar pra ver.
 Quinta feira tem manisfestação em Belém do Pará. Em paz mais uma vez.



Saímos do Facebook, e agora?




Mercado de São Brás as quatro horas da tarde.
13 mil pessoas foram às ruas de Belém hoje, para manifestarem sua indignação sobre as obras inacabadas do BRT. Um pouco tarde, não?  O verdadeiro responsável pelo projeto do BRT, uma hora dessas esta curtindo sua aposentadoria (assim esperamos e que não tenha uma recaída e queira voltar ao poder daqui a oito anos) em Miami, com 50 milhões de reais no bolso. O atual prefeito da cidade, Zenaldo Couto assumiu as rédeas desse trem desgovernado a pouquíssimo tempo, e pelo visto vai receber todo o apedrejamento do possível resultado que as manifestações poderão ter, ou não.

Belém tem o credito de ter tido a única manifestação do Brasil, a começar e terminar do mesmo jeito. Em paz. Ao contrario do que se viu em outras capitais, como foi o caso do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa, que contou com 20 mil manifestantes na passeata de hoje, em uma caminhada que começou bonita de se ver, teve a infelicidade de terminar na mais absurda desordem. Bastou uma fagulha, um pequeno grupo, para tudo virar um caos.
Carros virados, coquetéis molotovs e pura anarquia no Rio.



A Britney entendeu a matemática e você?
No Rio de Janeiro o manifesto era sobre o aumento do transporte público, os tais dos 20 centavos. Para você entender o que isso significa, vamos fazer uma pequena matemática básica.  Metrô: 4,5 milhões de usuários por dia, multiplicado por 20 centavos, da um total de R$ 900 mil reais/dia, por mês R$ 19.503.000 de reais, são 230 milhões de reais anuais nos 260 dias úteis. Ônibus: seis milhões de usuários diariamente, a conta é a mesma, 6 x 20 centavos, R$ 1.200.000 por dia, R$ 26.004.000 milhões mensais, no total de R$ 312.048.000 de reais anuais em 260 dias úteis. Na totalidade anual dos dois transportes públicos mais usados pelo povo, somam o surreal total de R$ 542.048.000 milhões de reais. Será que alguém ainda tem coragem de achar que são “apenas” 20 centavos, e não faz diferença nenhuma?


"Essa vai para o Instagram"
Voltando o foco para a minha cidade, Belém do Pará, nossa saudosa e calorenta mangueirosa. Saímos da zona de conforto, mas e agora? Qual o próximo passo? O que mudou? Que efeito será que essas poucas mais de seis horas entre reuniões e caminhadas com cartazes içados realmente surtirão? Muitas das pessoas que participavam do evento, nem sabiam ao certo o porquê de estarem lá. Muitos foram apenas para registrarem em seus smartphones, e postarem quase que de imediato nas redes sociais, suas fotos como “pseudos-libertários”. Mais uma vez, o cordão umbilical parece enforcar o pobre embrião que nem por seis horas conseguiu se libertar totalmente da rede. 


Almirante Barroso com quase 13 mil manifestantes
Muito mais importante do que ter participado da caminhada em protesto, é não ser um dependente de ideais pré-fabricados, mesmo que bem intencionados. O puro sonho romântico de que com uma simples passeata a utopia de um governo incorruptível se tornará realidade, é muito distante, ainda mais se falando de Brasil, mas eram exatamente esses alguns dos pensamentos externados vistos pelo longo da tarde. “Somos a revolução! Somos os novos “caras pintadas”! A coisa é muito séria, o Brasil vai explodir, nos temos que fazer algo”. Algo é preciso ser feito? Claro que sim, sempre será.



Exemplo de passeata para o resto do Brasil.
Sem querer parecer pessimista ou mesmo polêmico, mas o cidadão antes de tentar consertar o problema de qualquer jeito, gritando a plenos pulmões, cânticos de mudanças e de paz ou saindo as ruas com a cara pintada e carregando cartolinas com frases cheias de trocadilhos, primeiro deve-se buscar conhecimento. A política brasileira é um grande problema, que vai muito além de citações clichês de corrupção. É preciso conhecer o problema de perto antes de querer bancar o reacionário. Fugir da obviedade do que os jornais locais publicam, é um primeiro passo.   Não são com eles que você terá entendimento suficiente ou breve noção do que acontece com o povo e seus governantes. O buraco é muito mais embaixo, são com leituras profundas do tipo, Sistema Político: uma introdução, de Lúcia Avelar, que o manifestante vai começar a ter conteúdo e argumento para entender a mecânica do jogo. Seja sim uma peça importante neste tabuleiro, corra atrás de conteúdo, ao contrario, apenas restará a você ser só mais um reles peão, que estará mais tarde postando frases como esta: “Sensação de dever cumprido”, pelo Facebook, sem ter a convicção necessária para tal feito.