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| Mercado de São Brás as quatro horas da tarde. |
13 mil pessoas
foram às ruas de Belém hoje, para manifestarem sua indignação sobre as obras
inacabadas do BRT. Um pouco tarde, não? O
verdadeiro responsável pelo projeto do BRT, uma hora dessas esta curtindo sua
aposentadoria (assim esperamos e que não tenha uma recaída e queira voltar ao
poder daqui a oito anos) em Miami, com 50 milhões de reais no bolso. O atual
prefeito da cidade, Zenaldo Couto assumiu as rédeas desse trem desgovernado a pouquíssimo
tempo, e pelo visto vai receber todo o apedrejamento do possível resultado que
as manifestações poderão ter, ou não.
Belém
tem o credito de ter tido a única manifestação do Brasil, a começar e terminar
do mesmo jeito. Em paz. Ao contrario do que se viu em outras capitais, como foi o caso do Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa, que contou com 20 mil manifestantes na passeata de hoje, em uma caminhada que começou bonita de se ver, teve a infelicidade de terminar na mais absurda desordem. Bastou
uma fagulha, um pequeno grupo, para tudo virar um caos.
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| Carros virados, coquetéis molotovs e pura anarquia no Rio. |
No Rio de
Janeiro o manifesto era sobre o aumento do transporte público, os tais dos 20
centavos. Para você entender o que isso significa, vamos fazer uma pequena matemática
básica. Metrô: 4,5 milhões de usuários por
dia, multiplicado por 20 centavos, da um total de R$ 900 mil reais/dia, por mês
R$ 19.503.000 de reais, são 230 milhões de reais anuais nos 260 dias úteis. Ônibus: seis milhões
de usuários diariamente, a conta é a mesma, 6 x 20 centavos, R$ 1.200.000 por dia,
R$ 26.004.000 milhões mensais, no total de R$ 312.048.000 de reais anuais em 260 dias úteis. Na totalidade anual dos dois transportes públicos mais usados pelo povo, somam o surreal total de R$ 542.048.000
milhões de reais. Será que alguém ainda tem coragem de achar que são “apenas”
20 centavos, e não faz diferença nenhuma?
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| "Essa vai para o Instagram" |
Voltando o
foco para a minha cidade, Belém do Pará, nossa saudosa e calorenta mangueirosa.
Saímos da zona de conforto, mas e agora? Qual o próximo passo? O que mudou? Que
efeito será que essas poucas mais de seis horas entre reuniões e caminhadas com
cartazes içados realmente surtirão? Muitas das pessoas que participavam do
evento, nem sabiam ao certo o porquê de estarem lá. Muitos foram apenas para
registrarem em seus smartphones, e postarem quase que de imediato nas redes
sociais, suas fotos como “pseudos-libertários”. Mais uma vez, o cordão
umbilical parece enforcar o pobre embrião que nem por seis horas conseguiu se
libertar totalmente da rede.
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| Almirante Barroso com quase 13 mil manifestantes |
Muito mais
importante do que ter participado da caminhada em protesto, é não ser um
dependente de ideais pré-fabricados, mesmo que bem intencionados. O puro sonho romântico
de que com uma simples passeata a utopia de um governo incorruptível se tornará
realidade, é muito distante, ainda mais se falando de Brasil, mas eram
exatamente esses alguns dos pensamentos externados vistos pelo longo da tarde. “Somos
a revolução! Somos os novos “caras pintadas”! A coisa é muito séria, o Brasil
vai explodir, nos temos que fazer algo”. Algo é preciso ser feito? Claro que
sim, sempre será.
Sem querer
parecer pessimista ou mesmo polêmico, mas o cidadão antes de tentar consertar o
problema de qualquer jeito, gritando a plenos pulmões, cânticos de mudanças e
de paz ou saindo as ruas com a cara pintada e carregando cartolinas com frases
cheias de trocadilhos, primeiro deve-se buscar conhecimento. A política
brasileira é um grande problema, que vai muito além de citações clichês de
corrupção. É preciso conhecer o problema de perto antes de querer bancar o reacionário. Fugir da obviedade do que os jornais locais publicam, é um primeiro passo. Não são com eles que você terá entendimento
suficiente ou breve noção do que acontece com o povo e seus governantes. O
buraco é muito mais embaixo, são com leituras profundas do tipo, Sistema Político: uma introdução, de
Lúcia Avelar, que o manifestante vai começar a ter conteúdo e argumento para
entender a mecânica do jogo. Seja sim uma peça importante neste tabuleiro,
corra atrás de conteúdo, ao contrario, apenas restará a você ser só mais um reles peão,
que estará mais tarde postando frases como esta: “Sensação de dever cumprido”,
pelo Facebook, sem ter a convicção necessária para tal feito.






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