Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

A ousada inquietude do manifestante retumbante

Entregamos a copa de 98?

Em uma nova fase de manifestações e gritos de mudança – mesmo que muitos apenas em capslock – as teorias de conspiração saltam aos olhos pela rede hoje, algumas tão convincentes quanto o fenômeno Ronaldo como comentarista, outras já bem plausíveis de reflexão, mas em comum, todas envolvendo a seleção brasileira de futebol e o seu tetra campeonato nas copas das confederações.
A ousada inquietude do manifestante retumbante 
“A verdade é que não há verdade.”, já dizia o ganhador do Nobel de Literatura, Pablo Neruda. Não há uma verdade absoluta. A verdade é definida pelo dicionário como, “declaração provada como ou aceita como verdadeira; realidade.”. Algumas pessoas diriam hoje em dia que não há uma verdadeira realidade, apenas percepções e opiniões. É o que venho a propor com esse blog, nada de verdades absolutas, apenas o outro lado da moeda. Mais um meio reflexivo na massa caótica de informação.
Panis et circenses, conhecida popularmente como Pão e Circo. Política criada na antiga Roma, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objetivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Notou o clima familiar nos dias de hoje? Não? Então voltaremos no tempo a meados de 1998, Copa da França. A França vivia em estado de calamidade, ondas de protesto, várias greves (coincidência?), bem perto de uma guerra civil. O governo "supostamente" compra uma copa, vendida pela CBF e a Nike (patrocinadora da seleção). França enfia três gols na desorientada e vertiginosa seleção brasileira – a seleção vinha de uma campanha perfeita até então – O governo francês desenvolve um marketing pesado, convocando o povo a voltar a trabalhar, o satisfeito trabalhador francês vitorioso, agora mais do que nunca orgulhoso de ter o maior futebol do mundo, se acalma e a onda de protestos diminui até se exaurir por completo.

No livro Como Eles Roubaram o Jogo, o autor David A. Yallop expõe vários argumentos que colocam em xeque a lisura dos resultados de alguns jogos decisivos da Copa do Mundo. Mostra também como as conspirações e os interesses comerciais tomou conta do esporte mais popular do planeta. Yallop ainda afirma que a FIFA é organizada da mesma forma que o futebol brasileiro: Não com base em sua eficiência, mas em métodos escusos utilizados para se conseguir uma nomeação a um cargo importante ou a comercialização de marcas e contratos envolvendo seleções. Relata com firmeza manobras de bastidores, tramas políticas e até “sugere” que alguns grandes jogos da historia das copas podem ter tido resultados definidos fora dos campos.

Se realmente, foi o que aconteceu com a Copa das Confederações, parece não ter surtido o efeito esperado por vossa excelentíssima presidente Dilma Rousseff. Segunda feira, um dia depois da final, os brasileiros mais uma vez foram as ruas, em todas as cidades do país, com protestos de todos os gêneros e tamanhos. Em Belém, trabalhadores de uma rede de supermercados paralisaram uma de suas principais avenidas exigindo melhores condições e aumento salarial. Na Câmara Municipal de Belém, manifestantes acompanharam desde o inicio da manhã a decisão do Plano Plurianual e protestaram pelos resultados insatisfatórios, mesmo com a chuva apocalíptica não arredaram o pé do CMB. Os vereadores acabaram encerrando a sessão sem colocar em pauta as reivindicações dos manifestantes, que eram a redução da tarifa de ônibus e o passe livre.

Sigo cético em aderir às manifestações ou mesmo vê-las com simpatia, continuo não sendo cativado por esta estética do "povo nas ruas", não consigo ver com bons olhos a indiscriminada mistura de política e senso estético, seja ela derivada do pacifismo das massas ou do terrorismo dos extremistas. Receio que política e estética possam "coincidir" na justificativa da construção dos piores totalitarismos. Mas mesmo com todo niilismo, é imprescindível descartar a força das massas de se fazerem notarem. Enquanto muitos "descansavam" assistindo o jogo no maraca, outros inquietos perseverantes, encontravam  jeitos de burlar a segurança do jogo e demonstrar formas cada vez mais surpreendentes de protestos, como as faixas hasteadas em alvoroço, para longo em seguida serem censuradas e caladas, no meio da cerimônia de encerramento. Sem dar trégua, enquanto a apática Espanha fingia jogar futebol, outros tantos protestavam aos arredores do estádio. Estádio esse que a senhorita Dilma, nem ousou pisar. As coisas realmente estão mudando. Até onde vamos?  

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