Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

Virtude, Dever...Utilidade?



 Todos nos conhecemos os conceitos-chave da política: liberdade, igualdade, justiça, direitos, etc. Conceitos esses tão antigos quanto a humanidade. Aristóteles tentou criar o que seria o manual básico definitivo em “Política”. Divididos em oito livros, o filosofo determina de forma assídua, papeis, deveres e direitos do homem na sociedade. Em tese, a utópica formula da felicidade, do bem estar do cidadão, da convivência plena e inebriante. Entretanto o primeiro questionamento é, será que um dia o homem já foi  - ou será - realmente capaz de viver dessa forma, em total harmonia com o seu próximo, usufruindo de todos os conceitos-chave – encarada nos dias de hoje com um total niilismo ceticista progressivo? 

       De Aristóteles até a atual era de Valesca Popozuda, o globo nunca parou de girar e vários conceitos foram sendo modificados ao longo dos séculos. O único problema é, que algumas “imperfeições” na genesis do “manual básico”, demoram demais para serem derrubadas e reavaliadas. Isso acaba gerando um atraso sísmico na evolução intelectual do embrionário cidadão, deixando cada vez mais defasado a estrutura de sociedade funcional e feliz (eu zen) que Platão criou e Aristóteles aperfeiçoou e difundiu. Sua obra se tornaria a base de todas as escolas de filosofia política no mundo intercultural da Idade Média – árabe, judaica e cristã. Talvez uma das mais influentes e eloqüentes afirmações seja a chave-mestra de sua obra: “o homem é, por natureza, um ser vivo político”. 
Em uma analise do Livro I, Aristóteles dilucida a sequência “senhor – servo”. Ele aceitava a escravatura e considerava algo como desejado pelos os escravos por natureza. Em seu conceito primário exaltava, que desde o nascimento, uns estão destinados por natureza a serem regidos e outros a reger, uns nascem livres e outros são escravos por natureza. Condena, porém, a existência de escravos por convenção (resultantes de contrato ou conquista, ou seja, escravos ao pé da letra, como todos conhecem em livros de historia da quinta serie). Justificava a escravatura natural pela suposta incapacidade de certos homens de governarem a si mesmos.

Consegue perceber? São escrituras datadas de III a.Cristo, e desde essa época já alertavam e instigavam: Sem conhecimento, você esta destinado a fracassar, a ser um ser sem voz, um bestificado, um cidadão atônito. “Os mais sábios tem a maior autoridade”, atribuído a Platão. Questiono, será que realmente é culpa dos políticos atuais, ou do povo a atual situação de calamidade em que vivemos?

O ser humano por natureza é um ser autodestrutivo, como um lúpus no sistema imunológico da sociedade. No Brasil foram preciso mais de três séculos para o fim da escravatura, desde o seu “descobrimento” foram exatos 388 anos de escravidão. A verdade é que tais ensinamentos Platônicos, mesmo “reconfigurados” por Aristóteles, são adaptados ao ver de qualquer um, e nunca foram (e serão) levados a risca. É a visão de Individualismo de Sartre sendo distorcida e inserida como a máxima de vida.
Ao decorrer de seus livros encontramos algumas falhas básicas como ainda no Livro I, a mulher não é vista como cidadã e não detinha o direito de votar, os tempos eram outros, tudo bem, mas demorar mais de 2000 anos para mudar esse conceito tão antiquado? A mulher brasileira só deteve o direito de votar em 1932. Mesmo assim o código apenas permitia mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria.
 O “samba do crioulo doido” ficara tocando em loop infinito até quando? É certo, esta passando da hora de um novo conceito de governar, de administrar, é preciso algo maior que uma transmutação, algo maior que modificar o sistema atual, por favor, sem emendas. Não funcionara como a troca de um computador, com upgrades e sim um novo recomeço. Um novo periférico, uma outra saída da caverna, algo tão avassalador e inovador como há milênios atrás, com o conceito de Política. Mas claro, isso são divagações filosóficas platônicas de um aspirante de fim de semana.
 

 

Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas


Para uma civilização consumista, hedonista, narcisista repleta de pessoas descartáveis, a breve passagem do novo Papa pelo Brasil, pareceu trazer um ar de esperança e renovação ao abalado dogma religioso católico, que um dia já foi hegemônico em terras tupiniquins.

Diante do senso comum, vivemos uma era em que o registro fotográfico, em qualquer qualidade, se tornou muito mais importante do que vivenciar a própria experiência. Enquanto o carismático Papa Francisco surpreendeu a todos com uma mudança de rota, atravessando a massa ansiosa de fieis (que o aguardavam chegar de helicóptero) em um carro comum, os próprios voluntários da Jornada Mundial da Juventude – responsáveis pela “segurança” do Papa – que formavam um corredor humano para a facilitação do acesso de vossa santidade ao seu destino, burlavam suas tarefas e muitos se transformaram em verdadeiros “tietes-paparazzos”, abandonando assim os seus postos para tocarem, nem que seja o carro do Papa, em um registro sem foco no celular. Acabaram dando mais trabalho que os próprios devotos para o verdadeiro grupo de segurança papal.



Muito se falou sobre a visita do Papa e da nossa querida presidente que continua em queda livre nas pesquisas de popularidade. Dilma hoje respira o seu próprio longa “A espera de um milagre”. Em todo lugar leu-se sobre como a senhorita Rousseff se aproveitou do momento para mais um discurso pro-petista de seu governo. Outro assunto exaltado foi a “egípcia” que o Presidente do Supremo - para os íntimos o super Joca - deu em vossa presidente. Golpe de marketing, ou simplesmente desafeto? No blog de Fernando Henrique Amorim, o jornalista afirma que em quanto esperavam o Papa Francisco, em uma sala VIP, havia confraternização de todos os poderes, inclusive vários sorrisos e palavras trocados entre Joaquim e Dilma. O que teria acontecido é que o presidente do supremo, não haveria sentido necessidade de mais cumprimentações no momento de conhecer vossa santidade, mas a PiG (Partido da Imprensa Golpista) fez questão de retratar como falta de educação e sensacionalizar o caso. 


Mergulhando no meio da pororoca sozinho [cuidado contém spoilers sobre a vida]. 

"Todas as religiões, com seus deuses, semideuses, profetas, messias e santos, são resultado da fantasia e credulidade de homens que ainda não atingiram o total desenvolvimento e personalidade das suas capacidades intelectuais."
Mikhail Bakunin
O ser humano possui uma incrível facilidade de adoração, uma necessidade verdadeira que atravessa os milênios. Somos incapazes de aprender, escutar, refletir ou mesmo nos divertir sem reverencias e enaltecimentos. A fragilidade humana chega ao ápice de um verdadeiro vazio interior, com uma carência que apenas se mostra saciada com a nossa própria subjugação.

Refletir sobre isso, é no mínimo intrigante, mesmo que seja em uma tese argumentativa da profundidade de um pires.

 No começo da década de 60, no auge da Beatlemania, muitos acreditavam que os Beatles eram anjos, há registros de mães pedindo aos integrantes da banda que tocassem em seus rebentos como forma de bênção. 
Beatlemania: Manson é um dos que acreditavam em todo o misticismo em volta dos Fab Four
Manson ja foi considerado pelos Estados Unidos o homem mais perigoso da terra
No final da década de 60, a mente diabólica de Charles Manson com então 33 anos, comandou uma comunidade, onde com o seu incrível dom de persuadir, fez um pequeno grupo acreditar que uma guerra entre negros e brancos iria começar em breve e que era o seu papel salvar os poucos escolhidos que sobreviveriam ao caos que estava por vir. Foi o mandante do horrendo assassinato da atriz Sharon Tate, mulher do diretor do filme “O bebe de Rosemary”. Manson aos 78 anos hoje, cumpri prisão perpetua, e seus cúmplices pegaram pena de morte na época.

Jim Jones e sua Jonestown.
 O líder religioso do Templo dos Povos, Jim Jones em 1977 levou os primeiros 50 seguidores da sua seita para o que seria o paraíso na terra, a Jonestown. Um ano depois Jones já teria conduzido para sua utópica comunidade 900 novos fieis, todos saindo de San Francisco, Califórnia em voos direto para Port Kaiutuma na Guiana Francesa. Quando Jones viu seu sonho ir por agua abaixo, por causa de denuncias de irregularidades, coordenou o maior suicídio em massa já visto ate hoje, em menos de cinco minutos mais de 900 pessoas tiraram suas vidas com uma mistura de cloreto de cianeto e sedativos.

Jonestown: O maior suicídio da historia. Dos 918 corpos, 270 eram crianças
Lá atrás no antigo Testamento, conta a historia que na ausência de Moisés, o povo hebreu desorientado sem um guia espiritual, derreteu todo o ouro que tinham e construíram um bezerro de ouro, para em seguida começarem a adora-lo e a oferece-lo sacrifícios.




Qual será o sentido para tudo isso? Talvez se o homem perdesse um pouco do seu sempre escasso tempo buscando um santuário interior, em uma forma de auto sustentação, estaríamos mais cientes de certas armadilhas espirituais. Entendo que assim como a mente não pode transmitir com clareza o que não entende, também não se possa exprimir e manifestar o desapego de velhas necessidades. Mas ao invés de evoluirmos dia após dia, conseguimos ser mais enganados, afundar mais em velhos dogmas. Alguns reinventados e modernizados conforme o gosto excêntrico do cliente. Cientologia? Religião alienígena? Em um mundo globalizado é difícil de acreditar que ainda possamos aceitar certas coisas. Um equilíbrio é o que precisamos encontrar em raros momentos de meditação, uma concepção bem maior de que realmente nos cerca. Contudo, fazendo uma rápida varredura de tudo que o ser humano passou em todos esses milênios de evolução, descobrimos que nunca fomos seres pensantes livres de verdade, sempre fomos e seremos presos a amarras impostas por nos mesmos, ou não. Parece  essa ser a verdadeira natureza humana, toda sua forma de expressão é uma grande mentira. Nos dias de hoje sinônimo de liberdade e autoafirmação é o degenerado postar uma foto no Instagram esfregando o pênis nos sanduíches da Subway.