Eu não tenho problemas, você tem problemas, o sistema tem problemas. Você quer a verdade? Você quer a verdade? Não suportaria a verdade! Porque quando você procurar e não conseguir encontrar um pouco de carinho no que era o seu melhor amigo, entendera o que fazer. Esqueça Margie, isso é Chinatown.

A Síndrome da Zumbificação Pasteurizada

Texto por Dael Dourado


Chega a ser patético o como, o telespectador “formador de opinião” (gostaria de colocar bem mais aspas, mas a língua portuguesa infelizmente não me permite tamanha ousadia) é conduzido em um redundante loop de banalidade diária frente ao seu aparelho televisivo. Conduzido? Sim, como gado para o abate, o pobre bovino de duas pernas condenado não tem nenhuma opção, apenas marchar de cabeça baixa em silêncio para o seu corredor de San Quentin. Patético? Com total certeza, sem condição nenhuma de realmente elaborar opinião sem uma forcinha amiga, um empurrãozinho camarada da maior rede de televisão brasileira (por quanto tempo mais?).

Todos os dias bombardeados com laxante cerebral, o “formador de opinião” que acredita que com a sua viseira de cavalo é um grande pensante que esta a pá de toda a realidade ao seu redor, entrega de bandeja a sua maior dadiva, a única coisa no mundo que ninguém poderia tirar, o telespectador entrega o seu privilegio de pensar, de concordar ou contestar. Um dos últimos movimentos no mainstream brasileiro ocorreu no começo da década de 90 com os caras pintadas, a velha escola nem lembra mais o que foi e a nova geração não sabe ao certo do que se tratou. A banda paulistana de rock Titãs, profetizou há décadas atrás, nos versos da musica Televisão, “A televisão me deixou burro, muito burro demais”, isso foi cantado em épocas longínquas, onde não havia as populares redes sociais.  Hoje a era Facebookiana serve para expressarmos todo nosso pseudo-intelecto de mesa de bar sem levantar a bunda da cadeira, quem não se lembra do tão nobre movimento de adicionar um sobrenome indígena em seu perfil para “ajudar” a salvar uma pobre tribo? Bunda molice escancarada para a geração que “xinga muito no twitter”. As coisas mudam? Sim. Elas se transformam, melhor dizendo elas se transvertem, se disfarçam ou no mínimo se maquiam antes de sair de casa. O mesmo mundo de sempre, mas com pessoas com uma virose diferente dessas que se passa em apenas uma semana de cama e repouso. Diariamente o “doente” com a síndrome de zumbificação pasteurizada recebe sua dose diária de conteúdo trivial mais do mesmo lentamente pelas veias há anos.

 Lembram do primeiro beijo gay, mostrado pela maior rede de televisão brasileira? Não lembram? Foi com o casal noventinha, Sandrinho e Jefferson, na novela Torre de Babel. Um escândalo na época, o ator que interpretou Sandrinho (André Gonçalves), foi agredido fisicamente fora das telinhas por um grupo que discordava da orientação sexual do seu personagem. Os dois protagonizaram o primeiro caso homo afetivos masculino da televisão. Ousadia para época. Ponto para a televisão brasileira. De lá pra cá, de Dó pra Ré, lentamente portas foram sendo abertas e barreiras ultrapassadas. Os homossexuais e simpatizantes pela causa, tinham a esperança que poderiam chegar ao fim com a homofobia (ou pelo menos em parte), mas com informação, o maior meio de comunicação do nosso país ainda hoje, te anexa “um tera” de banalização. Junto com o conteúdo informativo de abertura de mentes, quebra de tabus e preconceitos de terceiro mundo, ela implanta em suas entranhas o dobro de conteúdo inútil, uma verdadeira “putaria” em sua cara. Banheiras do Gugu, Big Brothers Brasil, Fazendas, concursos da loira do Tchan, etc. É bunda pra cassete. Enquanto em 1991 minha geração assistia feliz da vida Carrossel, logo mais tarde a gurizada estava aprendendo a dança da “boquinha da garrafa”, resultado da bundalização banal descendo a base de Dramin pelas veias.

Hoje em meados de 2013, a televisão aberta, não parece ter muito mais com o que chocar. Todas as torneiras da central de tratamento de esgoto foram abertas. Sangue, Peitos, bundas, órgãos genitais, não existem mais fronteiras de horário ou idade para amostra de putaria explicita. Virgindades se perdem no meio do caos da infância, onde a brincadeira ainda deveria envolver bonecas Barbies. Reportagens como a gravidez de uma criança de 11 anos, parecem não incomodar os mortos vivos em frente ao quadrado magico, mas quando alguém parece se curar dessa eterna virose moral e levanta uma bandeira defendendo algo em que acredita, mesmo que seja nadando contra a maré, consegue ofender o rebanho todo de mortos vivos. Joelma da banda Calypso (Cavalo Manco, agora vou te ensinar), recentemente expressou sua opinião sobre o homossexualismo, sendo desfavorável a uma maioria. A homofobia é errada? Claro que é, devemos acreditar que só viveremos em paz uns com os outros quando aceitarmos nossas diferenças, nossos próprios ideais, sem protocolos, sem massificação consolidada por nenhum credo, crença ou dogma. Mas ela agiu errado? NÃO! Ela conseguiu se desligar da Matrix, voltou a ser um ser pensante, uma criatura maior que um cavalo manco, perdeu patrocínio e incentivo do seu filme? Perdeu! Mas teve a atitude mais punk do que muito roqueiro de boutique por ai. Acreditou em seus ideais, e mesmo sabendo que iria dar muito errada essa mão de cartas, ela apostou suas fichas e foi feliz. Viva a traída pela lua. Dando um chute de trivela na bunda molice que se instalou, como uma verdadeira síndrome.

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